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Uma ponte entre o insconsciente e os Arcanos
Artigo publicado na Revista FAE nº 26 Julho 2025

ID, Ego e Superego no Tarot: Uma ponte entre o Inconsciente e os Arcanos
ID, Ego e Superego no Tarot: Uma ponte entre o Inconsciente e os Arcanos

Desde que Freud apresentou ao mundo sua teoria estrutural da psique — dividida entre Id, Ego e Superego — psicólogos, terapeutas e buscadores do autoconhecimento encontraram nela uma poderosa chave de leitura para compreender os conflitos humanos. Da mesma forma, o Tarot, com seus Arcanos riquíssimos em símbolos e arquétipos, também se propõe a revelar a dinâmica interna do ser. Mas e se uníssemos essas duas linguagens? Como os Arcanos Maiores do Tarot podem nos ajudar a entender o funcionamento do Id, Ego e Superego?

Neste artigo, exploramos a conexão entre esses três aspectos psíquicos e o Tarot, propondo uma visão simbólica que enriquece tanto a leitura das cartas quanto o mergulho na psique.
 
O ID – O Desejo Instintivo

O Id representa o núcleo mais primitivo da mente, onde habitam os impulsos, os desejos e as pulsões — uma força vital que quer prazer imediato, sem considerar moral ou consequência. É o “eu quero agora”, a criança interior faminta por experiências e satisfações.
No Tarot, essa energia é facilmente percebida em cartas como:

O Diabo (Arcano XV): símbolo das paixões, vícios e desejos descontrolados. O Id em sua forma mais crua.
A Torre (Arcano XVI): o impulso que rompe estruturas, uma força interna que não aceita contenção.
O Louco (Arcano 0): o impulso vital, a espontaneidade, o desejo de viver sem limites ou regras.
O Id é necessário, pois é dele que vem o movimento, o desejo, a criatividade. Mas sem equilíbrio, ele nos escraviza às compulsões.
 
O EGO – O Mediador da Realidade

O Ego é o centro organizador da consciência. Sua função é equilibrar as exigências do Id com as imposições do Superego, sem ignorar a realidade externa. É o “eu” que decide, negocia, adia prazeres e constrói identidade.

No Tarot, encontramos o Ego em cartas que representam consciência, escolhas e gestão da vida prática:
O Mago (Arcano I): simboliza o Ego criador, aquele que canaliza a energia do Id e a transforma em ação no mundo.
A Justiça (Arcano VIII ou XI): representa o Ego ético, que pondera, avalia e decide com base na lógica e na razão.
O Carro (Arcano VII): a imagem clara de um Ego forte e direcionado, que conduz as forças opostas com domínio.
O Ego saudável é aquele que não reprime o Id nem se submete cegamente ao Superego, mas atua com autonomia e consciência.
 
O SUPEREGO – A Voz da Moral

O Superego é a instância psíquica que representa a internalização das normas, da ética, da moral e da autoridade. É o “dever”, a consciência crítica, o juiz interno. É necessário para a convivência e para a construção de valores, mas quando exacerbado, pode gerar culpa, repressão e autocensura.
Cartas do Tarot que ecoam a vibração do Superego incluem:

O Papa (Arcano V): arquétipo do mentor moral, da tradição e da autoridade espiritual.
O Julgamento (Arcano XX): o chamado à consciência, ao arrependimento, à prestação de contas.
A Temperança (Arcano XIV): o equilíbrio entre extremos, a autorregulação e o ideal de harmonia.
O Superego é o farol, mas também pode se tornar uma prisão quando impõe regras inalcançáveis e reprime o desejo de viver com espontaneidade.
 
Unir os Três na Jornada do Self: A Leitura Terapêutica

A maior contribuição de se entender o Id, o Ego e o Superego no Tarot é poder realizar uma leitura mais terapêutica, capaz de identificar onde estão os desequilíbrios. Por exemplo:

Um consulente dominado pelo Id pode ser representado por muitas cartas de impulso, desejo ou instabilidade. A leitura pode trazer orientações para encontrar limites saudáveis.

Quando o Superego está em excesso, surgem cartas rígidas, severas, ou de sofrimento interno causado pela culpa. O Tarot pode sugerir mais autocompaixão.
Já um Ego enfraquecido pode aparecer em leituras que mostram indecisão, falta de ação ou de identidade — sendo importante fortalecer o poder de escolha.
 
O Tarot Como Espelho da Psique

Ao unir Freud e os Arcanos, não estamos apenas fazendo um exercício intelectual, mas criando pontes entre ciência e simbologia, razão e intuição. O Tarot, assim como a psicanálise, nos convida a conhecer nossos desejos, nossos medos e nossa essência. O Louco inicia a jornada movido pelo Id, passa pelas provas do Ego e, com a sabedoria do Superego, chega ao Mundo — a plenitude do ser.

No fim, Tarot e psicanálise são mapas diferentes que apontam para o mesmo território: a alma humana.

Por Ricco Valdéz para a Revista FAE (Federação das Artes Esotéricas – edição nº 26 Jul 2025)
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